- from “JORNQAL DO COMMERCIO” and “O STATO”
Publicado em 16.01.2009
Associação critica posição de Lula sobre
refúgio a Battisti
Em meio à polêmica provocada pela concessão do status de
refugiado político ao extremista italiano Cesare Battisti, a
Associação Italiana de Vítimas do Terrorismo (Aiviter) condenou
nesta sexta (16) o tratamento dado pelo presidente Luiz Inácio Lula
da Silva ao caso. "Nós não esperávamos isso dele", disse o gerente
de Relações Internacionais da associação, Luca Guglielminetti, em
referência ao fato de o presidente ter dito que a Itália pode não
gostar da decisão, mas terá de aceitá-la. "Não estamos pedindo nada
além de respeito às sentenças judiciais, o que se espera de qualquer
país democrático."
No meio da semana, assim que tomou conhecimento da concessão do
refúgio pela mídia italiana, a associação divulgou uma nota
queixando-se da decisão tomada pelo ministro da Justiça, Tarso Genro.
"A decisão brasileira foi baseada numa suposta perseguição política
ao múltiplo homicida Battisti", diz a nota. Ainda no documento, a
entidade disse esperar que órgãos institucionais italianos conduzam
"uma forte intervenção junto ao Executivo brasileiro" para garantir
"o respeito ao Estado de Direito".
Guglielminetti disse acreditar que, ao analisar o caso, Ministério
da Justiça brasileiro não poderia ter simplesmente desconsiderado a
posição adotada pelos tribunais italianos. "A nossa opinião não
poderia ser diferente das sentenças judiciais que saíram dos
tribunais. Sentenças judiciais não são meras opiniões. Não é uma
questão de acreditar em algo ou não. É uma questão de fatos",
acrescentou o dirigente.
Segundo Guglielminetti, Tarso Genro pode ter sofrido influência de
opiniões externas ao decidir pelo refúgio político Ele aponta que
cartas e apelos feitos, por exemplo, por intelectuais, menosprezaram
as acusações que pesam sobre o ex-extremista italiano, assim como os
direitos de vítimas do terrorismo.
Dizendo esperar uma reação de autoridades italianas para tentar
reverter a decisão, Guglielminetti não descartou a possibilidade de
um impacto do episódio nas relações diplomáticas entre Brasil e
Itália. "Isso vai depender da coragem do nosso governo."